A Odisseia Soteropolitana
Depois de quase 2 meses morando aqui, criei coragem para contar a "aventura", para não se dizer tristeza da minha chegada aqui na Bahia, mais precisamente Feira de Santana, uma cidade industrial e comercial que fica há 1 hora e meia de Salvador.
Vim a trabalho, para uma oportunidade profissional imperdível!
Passei meses me programando e reprogramando cada parte da viagem, desde as passagens até a compra dos móveis e aluguel do apartamento. Inclusive um dia antes cheguei a ver diversos restaurantes para sair com a minha mãe quando chegasse lá e comemorasse a nossa vida nova. Vi um barzinho muito charmoso e pensei: é esse!
Mas, como me disseram as pessoas que já se mudaram: perrengue é a palavra chave de mudança. E isso é verdade, e posso comprovar contando a minha história, que eu batizei carinhosamente de "Odisseia Soteropolitana".
19 de janeiro de 2023, há dias fazia sol em Fortaleza, mas justamente nesse dia, choveu bastante, amanheceu chovendo e passou o dia inteiro com muita chuva. Meu voo estava marcado com saída de Fortaleza às 2h da tarde e chegada a Salvador às 3h50 PM.
Saí de casa às 11h30, passei na casa das minhas tias e peguei minha mãe antes do meio dia e fomos direto ao aeroporto. Chegamos com muita antecedência, despachamos as malas e entramos no avião. O voo foi tranquilo e chegamos no horário previsto pela companhia aérea.
Mas é em Salvador que aconteceram todos os perrengues possíveis!
Chegando no aeroporto (que é muito mal organizado por sinal), deixei minha mãe em uma lanchonete comendo algo, já que ela só tinha almoçado antes de vir e tomado um café dentro do avião, enquanto eu fui pegar nossas malas na esteira. E aqui fica a dica: NUNCA E JAMAIS comprem qualquer coisa que seja para comer em aeroporto. Aprendi da pior forma possível. Pois dois cafés, 1 sanduíche, 1 água com gás e 1 pepsi de 350 ml deu 60 fucking reais. Acreditem: 60 reais!
Bom, continuando, fui até a esteira recolher nossas malas e passei 10 minutos vendo diversas malas, mas nenhuma delas eram as nossas. Foi então que eu me dei conta de que as minhas malas não estavam na esteira. Me desesperei e pensei: Meu Deus! Perderam minhas malas! Fui até o balcão da companhia aérea e de fato, eles tinham perdido minhas malas. O choro veio até a garganta, mas não sou uma mulher de chorar tão rapidamente. Depois de muito procurarem, a companhia informou que estava nos achados e perdidos. Fui até o local e encontrei as 3 malas. Detalhe: uma delas quebrada! E quebrada justamente no local onde puxamos.
Depois de já ter perdido mais de meia hora tentando resolver esse problema, não tinha mais cabeça para brigar com ninguém. Resolvi eu mesma arcar com as consequências e ir atrás de um uber para nos levar de Salvador até Feira de Santana o mais rápido possível.
Chamei o uber e tome mais 56 minutos para que o motorista conseguisse me encontrar, já que existem aqueles famosos abutres (taxistas de aeroporto) atrapalhando a entrada de uber. Um desses taxistas me cobrou 660 reais para me levar de Salvador até Feira. Meu Deus! Com esse dinheiro daria para eu ir e voltar 2x. Recusei, óbvio! Mas se não bastasse isso, eles começaram a me atrapalhar. Viram que eu não era da Bahia e não conhecia o aeroporto e passaram a me dar informações erradas de onde era o ponto que eu poderia encontrar o uber.
Subi e desci os andares do aeroporto com 5 malas (3 grandes e 2 de mão) 3 vezes, tudo isso sozinha, e com uma mala quebrada. E sem esquecer da minha mãe, quase 70 anos, com um problema na perna e andando bem devagar. Eu estava tão cansada que naquela altura já tinha desistido de convencer o motorista do uber a me esperar. Porém, recebi uma mensagem dele dizendo: "Moça, pode ficar tranquila, aceitei a corrida e vou esperar você, porque percebi que você não é daqui". UFA! Encontrei alguém gentil nessa cidade!
No meio a esse sobe e desce, minha mãe caiu no chão, e eu, sozinha, cansada, com 5 malas, tentando levantá-la é uma cena que eu quero esquecer. Nesse momento eu quis chorar de fato. Foi a primeira vez que eu pensei "Que arrependimento, meu Deus!".
Encontrei com o morotista, gentil, educado, expliquei o que tinha acontecido. Leandro, era o anjo que Deus enviou para mim naquele momento. Ele propôs uma viagem fora pela uber e cobrou 250,00 reais, achei justo, já que ele havia me esperado quase 1 hora. E cá entre nós? Aquela altura do campeonato, se ele tivesse cobrado 400 eu pagaria.
Levamos 1 hora e 40 minutos para chegar em Feira de Santana. Cheguei no meu condomínio, paguei o Leandro e pensei que todos os meus problemas havia acabado. Sério? Eu sou muito iludida mesmo.
A dona do apartamento estava viajando e deixou a chave da casa com a irmã, que demorou quase 30 minutos para chegar no local. Eu e minha mãe cansadas, tivemos que esperar em pé até que a moça chegasse com a chave. Por fim, ela chegou, mas como a vida não é fácil, ainda tive que andar 1km a pé, pois o bloco do meu apartamento era o último. HAHAHA, nesse momento eu quis rir, porque até chorar eu não tinha mais coragem.
Andei, 1km sozinha, com 5 malas e minha mãe, tadinha, atrás, também cansada e com o joelho doendo da queda que tinha sofrido 2 horas atrás. No meio do caminho, a minha mala de mão, que eu já tinha colocado no pescoço cedeu e quebrou a alça caindo no chão. Eu não fazia outra coisa a não ser rir, não sei se por ser cômico, se era de nervoso ou se era só para não chorar, mas eu só fazia rir. Cheguei em frente ao bloco e ainda subi mais dois lances de escadas com 5 malas, enfim... CHEGUEI!
Eram 8h da noite, dor de cabeça, cansada, aliás extremamente cansada, só tomei um banho e quis deitar. E aquela programação lá de cima do barzinho que queria conhecer, foi por água abaixo. Eu e a mamis só queríamos comer qualquer coisa e dormir. Pedimos comida no ifood (que por sinal era caríssimo) e deitamos.
Me lembro de ter passado a noite inteira chorando no quarto ao lado, sozinha e abafando o choro para minha mãe não ouvir.
Depois de tudo, e há quase 2 meses instalada aqui, posso dizer que estamos bem.
É, estamos bem.




Comentários
Postar um comentário