Dia 9 de julho de 2023
Após 16 dias em Fortaleza, estou aqui, de volta a Bahia!
Agora, sozinha e sem a minha mãe. Escrevo essa mensagem 3 dias depois de chegar de viagem. Lembro da sensação de chegar no dia 9 de julho aqui no meu apartamento sozinha e de colocar as malas na sala de casa e abrir as janelas. Pela primeira vez experimentei o sentimento real do medo. Medo das novas responsabilidades, do morar sozinha, do silêncio, do vazio...
Deixei tudo jogado pela sala, tomei um banho, procurei algo para comer e não tinha, deitei, a fome bateu, levantei e decidi ir ao supermercado comprar o básico para a sobrevivência. As compras? Café, chá, arroz, carne, massa de cuscuz e tapioca e algumas cervejas, porque sim, eu precisava disso.
Cheguei em casa, estourei uma cerveja e comemorei por um breve momento. Pude sentir o sabor real da cerveja gelada, olhei pela janela, vi o a noite fria e aproveitei para fumar um cigarro da jnaela da minha casa. Até que eu peguei mais uma cerveja, meu cigarro, o casaco, desci e fiquei sentada na calçada no meu bloco vendo as crianças brincarem na rua. Foi o momento em que eu percebi que a partir daquele dia em diante, seria eu e eu mesma. Não senti solidão, senti felicidade, mas ao mesmo tempo veio o medo de "Será que vai dar certo? E se der errado?". Mas logo depois, tive a certeza de que a única opção é dar certo.
Terminei minha cerveja e o meu cigarro e subi para o meu apartamento. Depois de uma viagem exaustiva, entre dois aeroportos, eu simplesmente adormeci. Mesmo com a casa desarrumada, eu dormi naquele caos da minha casa, foi quando eu comecei a pensar que agora iria recomeçar a minha vida.
Dormi e já acordei cedo para ir trabalhar no dia seguinte. A casa estava revirada, senti uma frustração de já começar assim. Fui ao trabalho, mas decidida de quando voltasse iria fazer uma organização em casa.
Chego do trabalho tão exausta do retorno que apenas comi qualquer coisa e dormi quase que a tarde inteira. Acordei às 4h da tarde com a sensação de "eu preciso fazer algo e AGORA". Levantei, organizei tudo o que estava no chão da sala. Comecei a jogar todas as tralhas e papeis que eu e minha mãe guardávamos em casa. Fiz uma limpeza minuciosa. Espanei tudo, lavei o banheiro detalhadamente, organizei os dois quartos, lavei a cozinha, juntei o lixo, deixei lá embaixo e por fim, quando olhei para o relógio já eram 6h da noite. Foram 2 horas de faxina intensa. Logo depois um bom banho, um chá de erva doce, um incenso e pude sentir a paz reinar na minha casa e na minha vida.
Só agradeci aos Deuses e ao Universo por tantas coisas boas na minha vida. Naquele momento de paz, não tive a coragem de pedir nada, só de agradecer. E hoje, 3 dias depois continuo com o mesmo sentimento, de agradecimento.
Por fim, 9 de julho de 2023 me marcou como o primeiro dia da minha vida em que eu recomecei a viver e desta vez, sozinha. O dia 9 é tipo o Day one pra mim. Aquele dia que tinha tudo para ser comum, mas ele foi decisivo na minha vida.



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